Modelo é um dos carros nacionais mais tecnológicos, mas custa o mesmo que carros de luxo do mesmo porte. Motor diesel e itens de condução semiautônoma são diferenciais. Jeep Compass S André Paixão/G1 A solução encontrada pela Jeep para criar um Compass topo de linha foi bastante simples. A fabricante foi até a prateleira de equipamentos disponíveis para o modelo, (opcinais em algumas versões), juntou tudo, adicionou alguns detalhes estéticos exclusivos e batizou a criação de Série S. O fruto é um dos veículos mais tecnológicos produzidos no Brasil. E olha que o Compass S acaba disputando esse título com modelos de marcas consideradas de luco, como Audi, BMW, Land Rover e Mercedes-Benz. Não que a Jeep faça carros populares, mas as fabricantes citadas acima costumam vender veículos de faixas de preços ainda mais altas. A sacada do Compass S é tão boa que ele até se beneficiou da mudança de comportamento do público durante a pandemia do coronavírus. Segundo antropólogos contratados pela FCA, os clientes estão buscando os modelos mais completos, considerados "dos sonhos". Com isso, sua participação na família passou de 5% para 7%. Parece pouco, mas é preciso considerar que o modelo custa mais de R$ 200 mil. Na verdade, seu preço de tabela é de exatos R$ 213.190. Outra consequência desse posicionamento é que o Compass topo de linha acabou substituindo um outro Jeep: o Cherokee. A Jeep até exibiu o SUV maior no último Salão do Automóvel, em 2018, mas o câmbio desfavorável afastou as chances de importação. Com isso, coube ao Compass S fabricado em Goiana (PE) cumprir o papel de modelo mais sofisticado. Versátil, ele também se propõe a ser uma opção com pegada esportiva. Pelo menos é isso que a Jeep diz. Tabela de concorrentes do Jeep Compass S Divulgação Diesel ou gasolina? Ao menos na tabela de preços, o Compass acaba fazendo frente a versões de entrada de modelos de luxo, como Volvo XC40 e BMW X1, ou até mesmo a configuração intermediária do Audi Q3. Aqui é preciso considerar que o Jeep tem um trunfo debaixo do capô. Ele é equipado com o conhecido motor 2.0 turbodiesel de 170 cavalos e 35,7 kgfm, que está aliado ao competente câmbio automático de 9 marchas com tração nas 4 rodas e modos de seleção de terreno. Os concorrentes citados acima possuem motor a gasolina e tração dianteira. A escolha pelo motor a diesel ajuda a entender por que o Compass acaba alcançando uma faixa de preços mais elevada. Outra parte da explicação está na lista de equipamentos do modelo. Tudo o que é possível Jeep Compass S Divulgação Entre os itens de série, há sistemas avançados de condução, como alerta e assistente de mudança de faixa, frenagem automática de emergência, controle de velocidade adaptativo, estacionamento autônomo, monitoramento de ponto cego e farol com ajuste automático do facho. Nenhum outro carro produzido no país contempla um pacote de assistências tão farto como ele. Ainda há recursos mais conhecidos, como os 7 airbags e os controles de tração e estabilidade. Em termos de conforto, ele ainda traz itens como bancos dianteiros com ajustes elétricos, acesso e partida por chave presencial, ar-condicionado com duas zonas de temperaturas, teto solar panorâmico, câmera de ré, sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, faróis de xenônio, freio de estacionamento eletrônico, retrovisor interno eletrocrômico, rodas de 19 polegadas e central multimídia de 8,4 polegadas com Android Auto e Apple CarPlay. Jeep Compass S Divulgação O generoso pacote, no entanto, não inclui nenhum recurso inédito para o Compass. Todos esses equipamentos já são oferecidos opcionalmente em outras versões. O que diferencia a S das outras configurações é a opção de carroceria em marrom (a outra cor disponível é a branca dessa unidade das fotos) e os detalhes em grafite em rodas, moldura das janelas e emblemas. Com essas pequenas alterações estéticas a Jeep espera que o Compass S satisfaça não apenas aos clientes que buscam tecnologia, mas também esportividade e luxo. Jeep Compass S traz detalhes em grafite Divulgação Essa variedade de perfis de consumidores parece até “conversa para inglês ver”, já que normalmente luxo e esportividade seguem direções opostas. Pelo menos no caso do Compass, isso não atrapalha no resultado final do produto. A cabine mescla superfícies em material emborrachado e plástico duro, sempre com uma montagem feita de forma cuidadosa. A aparência geral é boa, mas não há o luxo de um Volvo com preço similar, por exemplo. A esportividade também passa longe porque o Compass S não foi feito para andar rápido. Mas seu conjunto mecânico é uma das maiores qualidades porque pode levar o modelo mais longe do que a maioria dos carros que roda por aí. Motor 2.0 diesel é um dos pontos fortes do Jeep Compass S Divulgação Nesse caso, mais longe pode significar uma distância maior. O tanque para 60 litros de diesel e o consumo de 10,2 km/l na cidade e 13,4 km/l na estrada (segundo dados do Inmetro) podem garantir autonomias de mais de 800 km. Durante o período em que o G1 testou o modelo, o Compass chegou a registrar consumo rodoviário até superior ao aferido pelo Inmetro, de 15,6 km/l. Chegar mais longe também pode significar vencer terrenos difíceis. Nesse caso, a tração 4x4 oferece programas específicos para terrenos com rochas, lama, areia ou neve (ou outras superfícies escorregadias). A seleção é feita por meio de um seletor que fica logo acima da alavanca de câmbio. Tração 4x4 do Jeep Compass pode ser acionada por meio de um seletor Divulgação De qualquer forma, os 170 cv e 35,7 kgfm de torque são suficientes para empurrar o SUV de pouco mais de 1.700 kg. Quando há necessidade de mais potência para uma ultrapassagem, o câmbio trata de reduzir uma ou duas marchas e o Compass cumpre a tarefa sem esforço. A suavidade é outro atributo desse conjunto. O motor diesel vibra menos do que similares que usam o mesmo combustível, enquanto a transmissão realiza as trocas de forma suave. Dessa forma, o Compass também se mostra amigável no uso cotidiano. Principalmente porque ainda oferece diversas assistências ao motorista. A frenagem de emergência garante que pequenas distrações não acabem em colisões ou mudanças involuntárias de faixa, por exemplo. O conforto em uma viagem é ainda maior com o controle de velocidade adaptativo, que consegue manter a velocidade desejada com a distância para o veículo da frente. É de luxo? Jeep Compass S André Paixão/G1 Os R$ 213.190 pedidos pela Jeep podem parecer um exagero diante de modelos de marcas consideradas de luxo. Ainda que a Jeep venda veículos de uma faixa de preço elevada, não é correto colocá-la no mesmo grupo de outras fabricantes premium. O lado bom desse cenário é que a manutenção não é a de um veículo de luxo. As 5 primeiras revisões do modelo saem por R$ 6.563, cerca de R$ 1.000 mais em conta do que os serviços de um Volvo XC40 ($ 7.505) ou de um Audi Q3 (R$ 7.614). As revisões dos Compass com motor a diesel ainda acontecem a cada 20 mil km ou 12 meses, contra 10 mil km ou 12 meses de Audi e Volvo. Na BMW, não há um intervalo pré-estabelecido. Considerando que um brasileiro roda, em média, de 10 mil km, a 15 mil km, é provável que o proprietário do Jeep tenha sempre que fazer o serviço uma vez por ano. Desta forma, no levantamento das 5 primeiras revisões do Compass, foram considerados serviços realizados por tempo. Jeep Compass S André Paixão/G1 Falando em Audi e Volvo, tanto Q3 como XC40 possuem porte semelhante ao do Jeep Compass. Só que aproveitam bem melhor o espaço, entregando melhores distância entre-eixos e porta-malas (veja na tabela de concorrentes). Novamente, resta ao Compass se contentar em oferecer motor a diesel, tração 4x4 e mais equipamentos. E olha que na comparação com o XC40 essa vantagem nem é tão grande assim. Na configuração de entrada, Momentum, o sueco só fica devendo teto solar e controle de velocidade adaptativo. Só que ele custa R$ 10 mil a menos: R$ 203.950. Apesar da proposta interessante, a não ser que o comprador vá usar a tração 4x4 do Compass S, há opções de modelos de luxo importados mais interessantes do que o Jeep no mercado.