A Honda apresentou há alguns dias o Accord Híbrido, que traz importante e, tudo indica ser altamente eficiente, o sistema que reúne propulsão térmica e elétrica que a fabricante chama de e:HEV — “e:” de elétrico e HEV, iniciais de Hybrid Electric Vehicle, que dispensa tradução para se saber do que se trata.

Esse Accord é o de 10ª geração, lançado em 2018 e mostrado no Salão do Automóvel de São Paulo em novembro. Dias depois do salão a imprensa foi chamada para conhecer e dirigir o carro e o editor Wagner Gonzalez esteve no evento, escrevendo a respeito.  Coube a mim efetuar o teste-padrão do AE em janeiro de 2019, no qual elogiei o novo esquema de motorização, que  passou turbo a motor de 2 litros turbo, 256 cv, no lugar do V-6 3,5-litros aspirado de 280 cv, como a também gostei bastante da nova suspensão traseira multibraço em substituição à por triângulos superpostos.

Linhas agradáveis, as deste sedã de 6 janelas

O motor desse híbrido a gasolina é um 2-litros, mas diferente dos que conhecemos aqui. Sua cilindrada é 1.993 cm³ (81 x 96,7 mm) e não 1.996 cm³ (86 x 85,9 mm).  A arquitetura é de duplo comando de válvulas, (4 por cilindro), variação de fase e levantamento de válvulas por meio de dois ressaltos de desenho diferente (como o VTEC, mas não sei o motivo de não  usar a famosa sigla), aspiração atmosférica, ciclo Atkinson e injeção no duto. Entrega 145 cv a 6.200 rpm com torque de 17,8 m·kgf a 3.500 rpm.

A propulsão elétrica é por motor de corrente alternada, síncrono, ímã permanente, trifásico, de 184 cv e  32,1 m·kgf. A Honda não informou a potência combinada alegando inexistir norma para estabelecê-la, o que é bem possível, mas a publicação suíça Automobil Revue, no seu catálogo anual de 2020, informa 212 cv.

Operação do Accord Híbrido

São  três modos de operação: EV Drive, que é 100% elétrico,, Hybrid Drive, e Engine Drive, nesse caso pelo motor a combustão.  A transmissão não tem caixa de câmbio no sentido estrito, de nenhum tipo, apenas conecta uma engrenagem, como segue adiante ao descrever o modo Engine Drive.

Quatro cilindros, 1.933 cm³, 145 cv e 17,8 m·kgf; pela tampa do radiador, vaso de expansão não é pressurizado, moda oriental

A operação é primordialmente elétrica, o carro nunca arranca pelo motor a combustão. Como não é plugável (plug-in) a bateria de tração de íons de lítio é pequena (capacidade não informada), e por isso o alcance nesse modo é de apenas 1 a 2 quilômetros., embora possa atingir 140 km/h nesse modo.  Assim que a bateria se esgota, o motor a combustão entra em funcionamento e aciona o gerador de 106 quilowatts, que passa a carregar a bateria para que esta, forneça energia para o motor elétrico. O motor jamais funciona em marcha-lenta, uma vez que não há embreagem ou conversor de torque. É um “start/stop” inerente aos motores elétricos.

Depreende-se que, aproximadamente, o esquema de funcionamento é o de “locomotiva diesel-elétrica” do Nissan Note e-Power que dirigi brevemente em Interlagos. no início de 2019. A bateria nessa fase serve apenas como ponte para fazer a energia elétrica gerada chegar a motor.

Clique nas fotos com o botão esquerdo do mouse para ampliar as fotos e ler as legendas

Na verdade, os modos EV Drive e Hybrid Drive se diferenciam apenas pelo segundo não poder rodar só com o motor elétrico. O Hybrid Drive complementa o EV Drive. O motor a  combustão fica em funcionamento permanente para manter a bateria carregada.

O terceiro modo, o Engine Drive é interessante. Quando o carro atinge 100 km/h é feito o acoplamento automático, por embreagem multidisco de atuação hidráulica, do motor a combustão com uma parte do trem de engrenagens do sistema de transmissão de relação 0,806:1, que combinada com a relação de diferencial de 3,421:1 resulta numa relação final de 2,757:1. Supondo que os pneus sejam 235/50R17, a v/1000 é 44,3 km/h, o que representa 2.708 rpm a 120 km/h.  É nessa marcha que o veículo atinge velocidade máxima, porém não divulgada. como é hábito da Honda. Nesse modo o gerador, acionado pelo motor a combustão, mantém a bateria cheia.

O motor elétrico também regenera energia ao se levantar o pé do acelerador ou frear. Pelas borboletas o motorista ajusta quatro níveis de intensidade de regeneração.

O consumo de gasolina, de homologação segundo a metodologia do Inmetro, é 17,6 km/l na cidade e 17,1 km/l na estrada.

O que vem com o Accord Híbrido

Na dianteira, o sedã ganha novos para-choque e grade, com desenho mais horizontal e que abriga os novos faróis de neblina em LED.

As rodas de 17 polegadas são novas, com acabamento escurecido, e na traseira, há novo acabamento na parte inferior do para-choque. Na tampa traseira, o emblema-logo e:HEV identifica a versão híbrida, junto dos novos emblemas “H” frontal e traseiro com novo acabamento azul para indicar tratar-se de um híbrido da marca.

 

Na conectividade, o sistema de áudio agora permite a integração com as tecnologias Android Auto e Apple CarPlay sem a necessidade de cabo Além disso, o carregador por indução no console central está mais potente, 15 watts.

Os ocupantes do banco traseiro passam a contar com duas saídas USB que permitem a recarga de dispositivos eletrônicos. O quadro de instrumentos também traz novo grafismo, adequado para todas as funcionalidades do sistema híbrido.

Na segurança, o Honda SENSING foi aprimorado. O modelo traz agora a tecnologia que ativa o freio em manobras de baixa velocidade se houver possibilidade de colisão.

O Honda SENSING, pacote de tecnologias de segurança e assistência ao condutor, é um equipamento de série que traz ainda o controle de cruzeiro adaptativo com ajuste de velocidade, sistema de frenagem automática para mitigação de colisão, assistente de permanência na faixa, e sistema para mitigação de evasão de pista.

Os avançados sistemas de segurança ativa e passiva incluem o controle de estabilidade e tração, freios ABS com reforço eletrônico nas frenagens de emergência, monitoramento da pressão dos pneus, bolsas infláveis dianteiras laterais, de cortina e de joelhos para o motorista e passageiro ao lado — é o primeiro Honda comercializado no Brasil com oito bolsas infláveis.

O Accord Híbrido só estará à venda no início do 2º semestre

Outra  importante novidade em segurança é o alerta de uso do banco traseiro, que emite um aviso ao motorista, indicando que algo pode ter sido esquecido no banco de trás trancar o veículo.

E, claro, a Honda não esqueceu da faixa degradê no para-brisa.

Vendas começam no início do segundo semestre, quando teremos uma unidade para teste.

BS

 

FICHA TÉCNICA HONDA ACCORD HÍBRIDO 2022 (PROVISÓRIA)
MOTOR
Designação R20
Descrição 4-cilindros, transversal, bloco e cabeçote de alumínio, 4 válvulas por cilindro, duplo comando de válvulas, corrente, variação de fase e de levantamento de váliulas de admissão e escapamento pelos perfis de ressaltos do comando de válvulas diferentes, ciclo Atkinson, coletor de escapamento integrado ao cabeçote, injeção no duto, gasolina
Diâmetro x curso (mm) 81 x 96,7
Cilindrada (cm³) 1.993
Taxa de compressão (:1) 13,5
Potência máxima (cv/rpm) 145/6.200
Torque máximo (m·kgf/rpm) 17,8/3.500
Comprimento da biela (mm) n.d.
Relação r/l n.d
PROPULSÃO HÍBRIDA
Tipo Híbrido em série
Motor elétrico Corrente alternada síncrono, ímã permanente, trifásico
Bateria Íons de lítio
Potência (cv/rpm)) 184/n.d.
Torque (m·kgf/rpm) 32,1/n.d.
Potência combinada (cv) 212
TRANSMISSÃO
Conexão motor a combustão-transeixo Direta permanente, tração dianteira
Câmbio Só uma marcha, conexão automática a 100 km/h
Relação da marcha única (:1) 0,806
Relação de diferencial (:1) 3,421
Relação final (:1) 2,757
SUSPENSÃO
Dianteira Independente, McPherson, braço transversal em “L”, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem
Traseira Independente, multibraço, mola helicoidal, amortecedor pressurizado e barra antirrolagem
DIREÇÃO
Tipo Pinhão e cremalheira, eletroassistida indexada à velocidade, relação variável
Diâmetro mínimo de curva (m) 12
Relação de direção (:1) Não informada, apenas que é variável
N° de voltas entre batentes 2,2
FREIOS
De serviço Hidráulico, duplo-circuito em diagonal, servoassistido a bomba de vácuo
Dianteiros (Ø mm) Disco ventilado/312
Traseiros (Ø mm) Disco/282
Controle ABS (obrigatório), distribuição eletrônica das forças de frenagem, assistente de frenagem de emergência
RODAS E PNEUS
Rodas Liga de alumínio 8×18 (estepe de aço)
Pneus 235/45R18W
Estepe Temporário T135/80D17
PESOS (kg)
Em ordem de marcha 1.547
Carga máxima 598
CONSTRUÇÃO
Tipo Monobloco em aço, sedã, 4 portas, 5 lugares, subchassi dianteiro de alumínio e traseiro de aço, apoiados em coxins hidráulicos
AERODINÂMICA
Coeficiente de arrasto (Cx) n.d
Área frontal (calculada, m²) 2,17
Área frontal corrigida (m²) n.d
DIMENSÕES EXTERNAS (mm)
Comprimento 4.889
Largura sem espelhos 1.862
Altura 1.460
Distância entre eixos 2.830
Bitola dianteira/traseira 1.589/1.599
CAPACIDADES (L)
Porta-malas 473
Tanque de combustível 48
DESEMPENHO
Aceleração 0-100 km/h (G ou A, s) n.d
Velocidade máxima (G ou A, km/h) n.d
CONSUMO INMETRO/PBEV
Cidade (km/l) 17,6
Estrada (km/l) 17,1
CÁLCULOS DE CÂMBIO
v/1000 em 10ª (km/h) 44,3
Rotação a 120 km/h (rpm) 2,708