A Ford apresentou no ano passado a reedição da icônica versão Mach 1 do Mustang para o mundo automobilístico, e agora anuncia que o novo carro passa a ser a única opção de Mustang importada oficialmente pela marca americana para o Brasil. Será um número limitado de unidades, mas sem especificar o total de veículos a serem importados. Portanto, os interessados devem correr para garantir o seu.

A palavra Mach, homenagem ao físico austríaco Ernst Mach (1838–1916), o primeiro a medir a velocidade do som, indica a razão entre a velocidade de um objeto e a velocidade do som (aproximadamente 1.216 km/h), portanto Mach 1 é a velocidade em que um objeto atinge a velocidade do som, momento que a onda de choque provoca um grande estrondo. Esse é o estrondo que o Mustang Mach 1 busca causar novamente após 17 anos de ausência no mercado.

Tradicional desenho cupê de duas portas

A Ford sempre foi uma empresa que buscou a velocidade em seus produtos e isso começou lá atrás com Henry Ford em 1901.  As raízes da empresa no setor aeronáutico aumentaram seu desejo de entregar veículos cada vez mais rápidos e potentes. Aproveitando a façanha de Chuck Yeager que foi o primeiro a quebrar a barreira do som em 14 de outubro de 1947, a Ford batizou seu Mustang 1969 de Mach 1, e em apenas um ano obteve 295 recordes de velocidade e resistência.

Da mesma maneira que aconteceu no passado, o novo Mach 1 traz muitas soluções técnicas adotadas nos modelos Shelby, equipando-o com o potente motor V-8 de 5 litros, funções aerodinâmicas exclusivas, um cockpit voltado para o motorista, e até um pacote de ajuste da suspensão que deixa o carro com características de carro de corrida.

Saídas de escapamento foram aumentadas e extrator de ar ao centro chama a atenção

Verdadeiro muscle-car

A Ford equipou o Mach 1 com seu melhor motor V-8 de aspiração atmosférica, que adicionalmente carrega um pacote de desempenho da Ford Performance, sendo similar ao pacote utilizado nos Shelby. Esse conjunto entrega 483 cv a 7.250 rpm, 17 cv a mais que a versão anterior, e 56,7 m·kgf a 4.900 rpm. É um duplo-comando, de 4 válvulas por cilindro, injeção direta, bloco e cabeçotes de alumínio.  Estão integrados a esse motor alguns componentes do Shelby GT350 como coletor de admissão, sistema de admissão de ar open air box (caixa de ar aberta), corpo de borboleta maior, escapamento e novos radiadores de óleo que auxiliam na capacidade de arrefecimento  do motor em quase 50%.

Motor V-8 e no primeiro plano é possível observar a robusta barra antitorção do monobloco

Enquanto nos Estados Unidos serão oferecidas as versões de câmbio manual de 6 marchas e automático de 10 , para o Brasil a Ford decidiu trazer apenas a opção automática chamado SelctShift. O conversor de torque tem uma calibração específica que permite trocas de marchas com maior rapidez, além de estar equipado com um radiador óleo que aumentou em 75% a capacidade de arrefecimento, permitindo assim uso mais abusivo em pista.

Os números de desempenho para acelerar o bólido de mais de 1.700 kg são atraentes, pois o carro vai de 0~100 km/h em 4,3 segundos, mas tem velocidade limitada a 250 km/h. Esse bom desempenho é obtido com gasolina comum e não há obrigatoriedade para utilizar gasolina premium. Já deu vontade de dirigir só para fazer um teste de consumo de combustível, pois a Ford ainda não divulgou os dados oficiais.

Elementos circulares na grade frontal relembra os faróis de longo alcance utilizado no Mach 1 de 1969

Estilo Mach 1

O novo Mustang Mach 1 tem uma grade dianteira que remete ao desenho original com uma colmeia em 3D e secção frontal com nariz de tubarão e elementos circulares que evocam um falso farol. Difícil entender por que não foi colocado um farol naquele local, como no Mach 1 original de 1969.

Por todo veículo é possível identificar elementos pretos de baixo brilho que realçam o visual do carro e proporcionam um visual premium, porém, permanecendo fiel à herança muscular e ousada do Mach 1 original.

Sem fugir do tema do estilo, a aerodinâmica foi bem pensada e no para-choque dianteiro é possível identificar grades laterais e central desenhadas para otimizar o fluxo de ar, e minimizar o arrasto aerodinâmico, além de melhor direcionar o fluxo de ar para os novos radiadores laterais. Na parte inferior foi adicionado um defletor para melhorar o fluxo de ar, aumentar o resfriamento dos freios e proporcionar um downforce (pressão aerodinâmica vertical) 25% maior na dianteira.

Na traseira foi utilizado o extrator de ar do Shelby GT500 e um novo defletor na tampa do porta-malas, melhorando o fluxo de ar e também aumentando o downforce.

Visual da traseira é bem equilibrado com discreto defletor na tampa do porta-malas

É notório que os departamentos de engenharia e estilo trabalharam em conjunto para desenvolver um produto que atendesse as altas demandas aerodinâmicas exigidas pelos conjuntos de motor, câmbio e freios.

A herança não foi deixada de lado no interior do carro. O painel de instrumentos traz detalhes exclusivos em alumínio e uma plaqueta que identifica a numeração do chassi. Pena que as unidades importadas não terão sequência numeral exclusiva para o Brasil. Os bancos com revestimento em couro possuem uma faixa vermelha similar a utilizada na versão original.

Plaqueta de identificação do número do chassi que virá no painel de instrumentos dos veículos; Ford não informou a quantidade de veículos na série especial

Tecnologia por todos os lados

Para trazer conforto e dirigibilidade o Mach 1 está equipado com suspensão adaptativa através da tecnologia de amortecedores MagneRide®, onde as partículas magnéticas em dispersão no fluido dos amortecedores alteram a sua viscosidade por impulso elétrico e consequentemente a carga de amortecimento. Os sensores distribuídos pelo veículo fazem leitura à taxa de 1.000 Hertz (mil vezes por segundo) e a central de controle emite o sinal para alterar a viscosidade do fluido. O resultado é tração otimizada em acelerações e frenagens, menor rolagem da carroceria e maior aderência em curvas, pois o ajuste é feito independente em cada uma das quatro rodas.

Esquema gráfico do sistema de amortecedor MagneRide

Os freios a disco ventilado nas quatro rodas utilizam disco de Ø 381 mm na dianteira com pinça de alumínio de seis pistões de Ø 36 mm. As pastilhas foram otimizadas para uso em pista, minimizando a possibilidade de fading.

As buchas dos braços de controle da suspensão traseira e do subchassi foram trazidas do Shelby GT500, buscando maior rigidez, o mesmo acontece com as barras antirrolagem que tiveram aumento de diâmetro de 4% na dianteira e 8%, na traseira. Dentro do capô encontra-se a barra antitorção do monobloco, um conceito oriundo do Mustang Bullitt 1968.

Complementando o pacote tecnológico da parte inferior do veículo, a Ford introduziu um sistema de arrefecimento para o diferencial traseiro, herdado do Shelby GT500.

Rodas 19″ com cinco elementos vazados permitem visualizar o freio e compõe um bonito visual ao carro

As funções semiautônomas estão presentes nessa nova edição com destaque para alerta de colisão frontal com detecção de pedestre e frenagem de emergência, assistente de permanência em faixa com detector de fadiga, sensor de ponto cego, farol alto automático, sensor de chuva, sensores de pressão de pneus, câmera de ré e assistente de partida em aclive.

O Mustang Mach 1 é o terceiro modelo a utilizar Fordpass Connect, anteriormente já havia sido anunciado no Territory e Ranger. Trata-se de uma central de conectividade e interação com o veículo através de aplicativo de smartphone com diversas funções de leitura e operação remota do veículo. O sistema é fornecido para degustação por 12 meses e após esse período será definido um valor de manutenção.

Em tempos de conectividade o Mach 1 não poderia ficar para trás, portanto, é equipado com o sistema Ford Sync3, com conexão Android Auto e Apple CarPlay sem fio, sistema de som premium com 12 alto-falantes e 1.000 W de potência, sistema de navegação, duas portas USB e assistência de emergência.

Interior é desenhado para ser um cockpit; decepção ao ver alavanca de freio de estacionamento convencional

O quadro de instrumentos de 12,3” em LCD é totalmente configurável com informações e indicadores customizáveis, tela adaptada para cada modo de condução e aplicativos de pista como cronometro e mostradores de desempenho.

Através de seletor no console central é possível escolher um dos sete modos de condução (Normal, Esportivo, Esportivo+, Pista, Drag, Neve/Molhado e Personalizado), onde oito funções são ajustadas (câmbio, acelerador, freio, controle de estabilidade e tração, amortecedores, ruído do escapamento, e direção), conforme mostrado na matriz abaixo.

Quadro dos motos de condução versus sistemas ajustados

Mercado

Apesar do recente fechamento das atividades fabris no Brasil, a Ford segue apresentando novidades em seu portfólio, mantendo a marca viva por aqui, e esse é o grande objetivo com um produto como este que visa atender a demanda de um público específico, composto por empreendedores, com trajetória profissional marcante, preocupados com a imagem e que principalmente são amantes da velocidade, autoentusiastas e que reconhecem o legado histórico de uma marca como a Mach 1.

Agora que já estamos salivando para dirigir esse novo ícone, podemos dizer que é um produto para poucos. A pré-venda inicia-se nesta semana para reserva preferencial e terá uma versão única ao preço público de R$ 499.000. Corra antes que acabe.

GB

Nota: até o momento do fechamento desta matéria a Ford não forneceu ficha técnica e lista de equipamentos do veículo. Ambos serão publicados quando fizermos a avaliação completa do veículo. Seguem abaixo as cores disponíveis do modelo. Eu fico com o cinza Dover, pois sou discreto.