Wagner Gonzalez noticiou há pouco o falecimento de Artur Bragantini.

É sempre triste quando alguém do automobilismo de competição se vai, mas nesse caso a tristeza é muito maior,  pois fomos colegas de pilotagem na equipe Mercantil Finasa-Motorcraft, representante oficial da Ford nas competições, sob comando do saudoso Luiz Antônio Greco.

Eu já conhecia o Bragantini, é claro, do ambiente das pistas, e ele era o tipo do piloto que irradiava enorme simpatia e, mais que isso, como guiava! Competimos um contra o outro inúmeras vezes, especialmente nas provas de longa duração a partir de 1970 e ele era sempre do grupo de frente.

Por isso, quando Greco me disse que na temporada de 1976 do Campeonato Brasileiro de Turismo de Série eu faria dupla com o Bragantiini, foi uma grande notícia para mim e tenho certeza de que para ele também. Mas só faríamos  dupla quando ele não tivesse outro compromisso —  era muito ativo, participava de várias categorias.

Corremos em dupla três vezes com o Maverick V-8, que naquele  ano passava a ter configuração original com regulamento FIA Grupo 1, bem mais restrito do que o Turismo de Série Divisão 1, da CBA, mais permissivo.

Para se ter uma ideia, o motor tinha que ser rigorosamente original, nada de carburador quadrijet e comando de válvulas especial, rodas tinham que ser as de aço do modelo de produção. Modificação mesmo, só o acerto de suspensão em molas e amortecedores.

Na nossa primeira prova vencemos. Foi a Seis Horas de Interlagos em 4 de julho, corrida das mais disputadas. (foto abaixo) Na segunda, 12 Horas de Goiânia (foto de abertura),, em 25 de julho, não terminamos, o mesmo acontecendo na Quatro Horas de Tarumã em 10 de outubro.

Quatro Horas de Interlago, disputa a prova inteira com o Opala de Edgard de Mello Filho, outro “bota”

Em 1976 o campeonato teve só cinco etapas. A primeira foi a Mil Quilômetros de Brasília, em 25 de abril.  Corri com Paulo Gomes, vencemos. A segunda, Quatro Horas de Cascavel, em 6 de junho, com Eduardo Celidônio, chegamos em segundo, prova vencida pelo Opala de Edson Graczik e Eduardo Andrade.

Foi um ano muito bom tendo o Bragantini como piloto do Maverick nº 22 junto comigo. Era um companheirão, sempre alegre, muito querido pelo Greco. Nos anos seguintes sempre nos encontrávamos nos autódromos e ele sempre a mesma simpatia.

Vai fazer falta.

Requiascat in pace, amigo Bragantini.

BS